![]() |
|
|
|
|
Liturgia Tempos Litúrgicos Bíblia
|
Chegou a Luz
Os cristãos inspiraram-se no Antigo Testamento ao falar de Jesus como luz. A primeira leitura recorda a ação luminosa de Deus, numa fase difícil da história de Israel. O profeta Isaías conclama os habitantes de Jerusalém a acolher a luz radiante da glória do Senhor, resplandecendo sobre o povo. Só os olhos da fé possibilitariam detectar a luz despontando em meio a ruínas, decepções, frustrações e desesperos. A fé leva a ver para além das agruras do presente; a detectar a esperança nascendo, quando ninguém percebe a presença do novo; a conservar o otimismo, quando reina o pessimismo; a cultivar anseios de vida, quando a morte parece reinar absoluta. Quem não estivesse disposto a se abrir para a fé estaria fadado a vagar na escuridão. Já as pessoas de fé reconheceriam a importância da Cidade Santa para todos os povos. O Evangelho mostra Jesus despontando como luz e sendo, simultaneamente, acolhido e rejeitado. Os magos acolhem a luz de Jesus e, às apalpadelas, vão em sua direção. Não partilham a fé de Israel e vivem muito longe da terra de Israel. No entanto, ao tomarem conhecimento de Jesus - "vimos a sua estrela no Oriente" -, vão em busca dele. O caminho é feito de percalços, onde correm risco de morte. Sempre decididos a alcançarem a meta, os magos finalmente encontraram a verdadeira luz: um pobre recém-nascido. A alegria invadiu-lhes o coração. Prostrados, adoraram-no. No pólo oposto, estão o rei Herodes e toda a cidade de Jerusalém. Esta gente violenta e malvada se sentiu ameaçada com a possibilidade de existir qualquer concorrente. Com o intuito de eliminar "o rei dos judeus", procurado pelos magos, preparam-lhes uma armadilha. Por isso dão-lhes indicações exatas do local do nascimento do Messias. Eles mesmos não se dão ao trabalho de ir até lá e acolher a salvação oferecida por Deus. Antes, fincam pé na sua obstinação e no seu instinto de morte. A cena evangélica revela uma contradição no comportamento dos contemporâneos de Jesus. Os estrangeiros acolhem a luz e se deixam guiar por ela. Seus conterrâneos, privados da fé, rejeitam a luz divina e permanecem nas trevas. Para estes, as promessas divinas tiveram pouca serventia. Foram acolhidas com superficialidade e exterioridade, sem produzir frutos de conversão. Os magos, por sua vez, souberam ler os sinais dos tempos, simbolizados pela estrela vista no Oriente. Sua fé não brotou da Palavra, mas da vida, dos fatos, da história ou, talvez, da contemplação da natureza. Todos estes são caminhos dos quais Deus se serve para conduzir seus filhos à luz. Assim, os filhos da luz não serão, necessariamente, o povo de Israel. Em Jesus, a luz da salvação se projeta sobre todos os povos. Importa acolhê-la! A segunda leitura sublinha esta verdade. Também os pagãos são "beneficiários da mesma promessa, no Cristo Jesus, por meio do Evangelho". Isto porque se abrindo à fé, acolheram magnânimos a luz oferecida pelo Pai, no Filho Jesus. Extraído da Mesa da Palavra, da Revista Família Cristã.
|
||||||