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Sinais para a Fé
Paulo Valério

Nossa Senhora AparecidaDuas experiências humanas fundamentais consideradas - o amor e a fé - recebem um colorido especial na perspectiva cristã: a fé não é mero instinto religioso, mas descoberta do Deus vivo e verdadeiro revelado em Jesus Cristo; e o amor não é simplesmente a atração física ou o sentimento espontâneo para com aqueles que nos amam, tem sua medida no modo como Jesus nos amou.

No entanto, o amor precede a fé e conseqüentemente é o caminho mais seguro para se chegar ao verdadeiro Deus, que é amor: "O amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele" (1Jo 4, 7-8.16).

Enquanto a fé vem pelo ouvido (cf. Rm 10, 17), o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5). Seremos julgados não tanto pelos critérios da fé: "Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?", mas pelos do amor: "Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, forasteiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos?" (Mt 7, 22; 25, 44).

Nossa meta, como cristãos, é amar como Jesus amou. Contudo, para chegarmos a tal perfeição, é preciso que acreditemos nele, não simplesmente com uma fé emotiva e sentimentalista, mas que se traduza em seguimento. O evangelista João diz que a obra principal a ser realizada é crer no enviado de Deus (cf. Jo 6, 29), e o texto do Evangelho de hoje narra o primeiro sinal que Jesus realizou, a fim de que os discípulos cressem nele.

Depois de relatar diversos sinais que tinham a mesma intenção de estimular a fé, João conclui seu Evangelho dizendo que "Jesus realizou diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome" (Jo 20, 30).

A segunda leitura fala de sinais no céu: uma mulher vestida de sol, pisando a lua, coroada de estrelas. Como sinal, ela não é a realidade, mas aponta para o Filho que ela dá à luz e que é arrebatado para junto de Deus e de seu trono. O outro sinal - o dragão, as forças da morte -, que procurava atrair a crença das pessoas para si, como se fosse divino, é jogado ao chão e engolido pela história, enquanto a comunidade dos que crêem continua gerando as obras do amor.

Um belo exemplo da combinação fé-amor temos na figura da rainha Ester (primeira leitura): preferida pelo rei Assuero, é aconselhada por um concidadão a ocultar sua identidade de judia, mas quando seu povo é ameaçado de extinção, entrega-se à oração, ao jejum e toma a firme decisão de interceder junto ao rei: "Se for preciso morrer, morrerei" (Est 4, 16). Diante da oferta generosa do rei - metade do seu reino -, ela pede apenas a vida de seu povo.

Nossa Senhora Aparecida foi e continua sendo um sinal para o povo brasileiro, sinal que aponta para a fé em seu Filho: em Caná, eles não tinham vinho; àqueles pescadores faltava o peixe. Maria, em seu papel de co-redentora, está atenta ao que nos falta hoje e participa dos sinais que despertam a fé em seu Filho.

Fonte: Mesa da Palavra

 
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